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  • Foto do escritor: Rosana Emilio
    Rosana Emilio
  • 3 min de leitura

Hoje recebi flores e me deixaram emocionada. Mas a questão que me emocionou não são as flores, porque já recebi outras vezes, de outras pessoas, e não era o mesmo sentimento. O que me deixou emocionada é ver a construção do amor no dia a dia. 

Mas calma que no final vou concluir meu raciocínio. 

Sempre fui uma pessoa romântica que acreditava no amor puro e genuíno, naquele amor que cuida, que é companheiro, calmo, pacífico, harmonioso, com diálogo e acolhimento. Sempre acreditei que o amor é bonito do início ao fim e não só na hora da conquista e na fase da paixão. 

Eu era a pessoa que escrevia bilhetes pra lembrar o quanto amava e fazia surpresinhas bobas num dia normal. Falava “eu te amo” com facilidade e sentia necessidade de mostrar esse amor em gestos, carinho, atenção e conversa. 

Sempre acreditei que o amor não esfriaria, não se tornaria “chato”, e sempre seria gostoso.

Sempre acreditei no amor de outras vidas, em conexão de almas, naquele sentimento inexplicável e na sintonia que parece mesmo ser de outras vidas. 

Sempre acreditei em parceria, em companheirismo, em “estar ali do lado sempre”, independente de uma briga. 

Sempre acreditei no amor (e sempre amei comédias românticas).

E um dia isso se quebrou.


Mas não se quebrou de uma hora para outra, numa situação x. A quebra foi acontecendo ao longo dos anos. Tipo uma mesa que lasca uma pontinha aqui, depois outra ali, depois cai um pedaço maior aqui e a gente tenta colar, aí um pé desgasta, depois o outro pé desgasta e quando você vê ela está toda remendada e nem dá mais para chamar de mesa. 

Foi exatamente assim que aconteceu.



Sempre fui romântica e ao longo do tempo deixei de ser. 

Era carinhosa, até que fui sendo menos carinhosa, até deixar de ser. 

Era calorosa, até que passei a ser fria e proteger meus sentimentos.

E comecei a guardar tudo para mim. 

Continuei acreditando nas pessoas e no amor, mas fui deixando de ser várias coisas. No fundinho, sentia que o amor que sempre acreditei existia sim e que ainda viveria aquilo. 

Até que esses dias li essa frase:



Ela retrata minha realidade. 

Quando menos imaginei o amor que sempre quis apareceu. Um amor genuíno, sincero. 

Apenas aconteceu. 

Aconteceu para nós dois no momento em que mais estavamos quebrados e desacreditados. A gente se permitiu (e tudo contribuiu para isso, porque quando a gente se abre para o universo, ele retribui). A gente foi se acolhendo, se ouvindo, se curando. 

O amor é para ser simples e leve. É pra curar e não machucar. É para trazer paz e não confusão e caos. É pra ser um laço e não um nó que sufoca. 

Acho que tem pessoas que passam a vida toda procurando por esse amor. Enquanto existem outras que já procuraram tanto e desistem, por isso surgem aquelas frases de “o amor só é bonitinho e fofo no começo”. 

A verdade é que o amor é um combustível para a vida. 

Tudo aquilo que tinha perdido, reencontrei. Voltei a ser romântica, a cuidar e a ser vulnerável. Mas a pessoa que está do meu lado me permitiu isso tudo, porque ele também é. Ele cuida, ele ama, ele faz gestos românticos, se faz presente mesmo quando não está fisicamente presente.

O detalhe maior aqui é que vivemos um relacionamento à distância, ele mora na Holanda e eu no Brasil. E de todos os meus relacionamentos, esse é o que me sinto mais amada, com um companheiro de verdade, que se importa com absolutamente tudo, que me acalma e que me ama até no meu pior momento. E ele nem está no mesmo país que eu. 

O que me emocionou não foram as flores em si, mas sim o cuidado e o amor que construímos no dia a dia. Nosso amor me confirma que tudo o que eu sentia no fundinho sobre o amor ser gostoso sempre, independente do tempo. É real galera, ele existe!




  • Foto do escritor: Rosana Emilio
    Rosana Emilio
  • 1 min de leitura

Minha casa em malta era em Sliema.  E Deus foi muito bom comigo.

Primeiro de tudo: olha essa vista. 


Minha colega de quarto se tornou uma super amiga.  A gente se deu muito bem logo de cara e nem parecia que a gente tinha se conhecido na viagem. Seguimos com nossa amizade e nossa ligação firme e forte mesmo pós viagem.

As outras meninas que moravam com a gente também eram uns amores. Uma delas estava na minha sala do curso de inglês, inclusive. Elas eram da África e moravam na França. Só aí já dá para ter uma noção do choque de cultura legal que tivemos dentro de casa. 

Nosso apartamento era super fofo, com uma vista de tirar fôlego, de frente para a praia, com ar condicionado (um item extremamente valioso), numa localização ótima e tinha uma barraquinha de crepe praticamente na frente. 

Nós fomos alguns dias comer crepe, até que um dia ficamos conversando muito com os carinhas que trabalhavam lá. Fizemos batalha de crepe doce para saber qual era o preferido deles e qual a gente gostava mais. 

Conversamos sobre a vida, sobre nossos respectivos países, sobre como é morar em outro país e tudo que isso proporciona.

Conversamos sobre voltar para casa e sobre se sentir em casa em muitos lugares do mundo. 

Aquela barraquinha de crepe me alimentava de muitas maneiras. Matava minha fome biológica e minha fome de saber um pouquinho de tudo!

  • Foto do escritor: Rosana Emilio
    Rosana Emilio
  • 3 min de leitura

O livro “A Doce Jornada” estava na minha lista de leitura há um tempo e, como acredito que nada acontece por acaso, li ele no momento certo. 

A personagem principal, Mabel, trabalhava como assistente executiva de um diretor de uma empresa multinacional. Aos olhos dos outros, ela tinha a vida dos sonhos, mas internamente estava longe disso. Vivia empurrando a vida e o trabalho com a barriga, reclamando de tudo, mas sem fazer nada para mudar. Até que um dia a vida resolveu se encarregar disso e virou tudo de ponta cabeça.

Por desatenção, acabou cometendo um erro grande e foi demitida. A partir daí, teve que olhar para dentro e entender o que queria fazer da vida, seja profissionalmente como pessoalmente. Assim, começou a investir tempo em si mesma e, pela primeira vez, tomou as rédeas da própria vida, comandou tudo e não ficou aceitando qualquer coisa que aparecesse.

A minha mudança para a Holanda me causava (e continua causando) muita insegurança em relação ao meu lado profissional. 

Me senti como a Mabel por não saber ao certo onde me encaixava. Na verdade, vivo isso há alguns anos. 

No Brasil, havia um certo “conforto”, pois mesmo vivendo o desconforto de não saber em qual profissão me encaixo, eu já tinha uma vida, com a minha familia, meus amigos, um trabalho estável (mesmo não sendo o trabalho que queria), uma rotina, ou seja, era desconfortável, mas “conhecido”. 

Na Holanda, além da adaptação com tudo, continuo sentindo o mesmo desconforto, mas num ambiente desconhecido.

5 anos atrás, quando decidi deixar o mundo jurídico, foi uma sensação aterrorizante, porque sentia que não me encaixava em lugar nenhum e, além de não me encaixar, sentia que nenhuma profissão brilhava meus olhos.

Acho que nossa geração (sou da turma dos anos 90) pensa um pouco diferente em relação ao “trabalho”. Sinto que as gerações passadas enxergavam “trabalho” apenas como uma forma de ganhar dinheiro para sobreviver e minha geração está numa transição entre “preciso de dinheiro para sobreviver, mas não a todo custo, preciso ser minimamente feliz realizando esse trabalho”. 

Sempre pensei que nós “gastamos” muito mais tempo trabalhando do que com a nossa própria família, então isso precisa ser no mínimo um pouco “prazeroso”. 

Esses pensamentos sempre foram algo que ficava preso na minha cabeça e por muito tempo me senti paralizada. 

Ao sair do mundo jurídico, conheci o mundo das vendas e isso abriu minha cabeça de uma forma maravilhosa. Entendi que poderia me reinventar quantas vezes quisesse e, também, confiar mais na minha capacidade. Depois fui para o mundo comporativo, que foi um enorme desafio e apenas no encerramento desse ciclo consegui entender meu real valor. 

Hoje estou aqui na Holanda e meu maior medo antes de vir para cá era ficar sem emprego e o que fazer com meu tempo livre. 

Foi justamente durante esses momentos de medo que a Mabel me mostrou que POSSO e PRECISO tirar um tempo para entender o que quero, o que gosto e qual meu próximo passo. Tirar esse período para me reencontrar, colocar meus pensamentos e sentimentos no lugar vai ser importante para andar pelo caminho que quero e que me faça feliz. 

Física e geograficamente já recalculei a rota para a Holanda. Agora, com essa nova rota geográfica, preciso ouvir meus sentimentos, olhar com mais carinho para mim e entender que está tudo bem não ser produtiva o tempo todo. 






© 2024 por ROSANA EMILIO. 

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